Morre Benedito Ruy Barbosa aos 95 anos; autor de Pantanal e O Rei do Gado deixa legado histórico na televisão brasileira
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O Brasil se despede nesta terça-feira (7) de um dos maiores nomes da dramaturgia nacional. Benedito Ruy Barbosa morreu aos 95 anos, em São Paulo, após complicações provocadas por insuficiência renal crônica. Criador de clássicos como Pantanal, Renascer, O Rei do Gado e Terra Nostra, o escritor transformou o universo rural em protagonista da teledramaturgia brasileira e marcou gerações de telespectadores.

Benedito Ruy Barbosa morreu aos 95 anos em SP - Foto: TV Globo
A televisão brasileira perdeu nesta terça-feira (7) um de seus maiores mestres. Benedito Ruy Barbosa morreu aos 95 anos, em São Paulo, em decorrência de complicações causadas por insuficiência renal crônica. A informação foi confirmada pelo Hospital do Coração (HCor), onde o dramaturgo estava internado.
O velório acontece ainda nesta terça-feira, no Funeral Home, no bairro da Bela Vista, na capital paulista. A cerimônia será realizada das 15h às 21h, com visitação aberta ao público entre 15h e 16h.
Nos últimos anos, Benedito enfrentava problemas de saúde relacionados à insuficiência renal crônica. Em janeiro deste ano, chegou a permanecer internado por 19 dias para tratar uma infecção urinária associada à doença, recebendo alta após a recuperação.
Mais do que um autor de novelas, Benedito Ruy Barbosa foi um contador de histórias que ajudou a construir a identidade da dramaturgia brasileira. Em suas obras, levou para a televisão o cotidiano do campo, as tradições do interior, os conflitos pela terra, a força das famílias e grandes histórias de amor que atravessaram gerações.

Nascido em 17 de abril de 1931, na cidade de Gália, interior de São Paulo, ele era o mais velho de cinco irmãos. Ainda criança, mudou-se para Vera Cruz, onde cresceu cercado por cafezais e pela convivência com imigrantes italianos e japoneses — cenário que mais tarde serviria de inspiração para diversas de suas novelas.
A morte precoce do pai mudou completamente o rumo de sua vida. Ainda muito jovem, precisou trabalhar para ajudar a sustentar a família. Foi auxiliar de escritório, vendedor de verduras, faxineiro e revisor de jornal antes de encontrar seu verdadeiro caminho na escrita.

Seu primeiro romance, Fogo Frio, inspirado na devastadora geada que destruiu plantações de café no Paraná, foi adaptado para o teatro e premiado pela Associação Paulista dos Críticos de Arte. O reconhecimento abriu as portas para uma carreira que transformaria a televisão brasileira.
A estreia como autor aconteceu em 1966, na extinta TV Tupi. Depois de passagens por outras emissoras, consolidou sua carreira na TV Globo, onde escreveu sucessos que se tornaram parte da memória afetiva do público.
Entre suas obras mais marcantes estão Meu Pedacinho de Chão, Cabocla, Sinhá Moça, Paraíso, Renascer, O Rei do Gado, Terra Nostra e Velho Chico. Em todas elas, Benedito imprimiu sua marca registrada: personagens intensos, famílias divididas por conflitos, romances arrebatadores e um profundo respeito pela cultura brasileira.

Em 1990, revolucionou a televisão ao escrever Pantanal para a extinta Rede Manchete. A novela inovou ao utilizar extensas gravações em locações naturais e conquistou índices históricos de audiência, tornando-se um dos maiores fenômenos da teledramaturgia nacional. Décadas depois, a obra ganharia um remake de enorme sucesso, adaptado por seu neto, Bruno Luperi.
Nos últimos anos, Benedito afastou-se da escrita, mas deixou seu legado nas mãos das filhas Edmara e Edilene Barbosa e do neto Bruno Luperi, que seguiram seus passos como roteiristas e mantiveram viva a essência de suas histórias em novas adaptações.
Contribuição
Ao longo de mais de cinco décadas de carreira, Benedito Ruy Barbosa fez muito mais do que escrever novelas. Ele eternizou o Brasil rural na televisão, valorizou a cultura do interior, retratou a imigração italiana, abordou questões sociais e emocionou milhões de brasileiros com personagens que permanecem vivos na memória do público.
Com sua morte, encerra-se um dos capítulos mais importantes da história da dramaturgia nacional. Seu legado, porém, continuará presente em cada reprise, em cada remake e na lembrança de espectadores que cresceram acompanhando suas inesquecíveis histórias.




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